quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Hoje, de manhã, um dos meus meninos perguntou-me:

- Ó professora, tu tens pais?
- Claro que tenho. Tu também tens, não tens?
- Sim, tenho.

{Já sabia onde ele queria levar a conversa, por isso acrescentei}

- Todos temos um pai e uma mãe.
- O Gonçalo não tem pai!

Eu logo vi que a conversa iria chegar a este assunto.  Então, expliquei-lhe:

- Claro que o Gonçalo tem pai... só não está cá, mas ele tem pai, sim! 

Diz ele:
- Está no céu.
- Pois, está. Mas, não é por isso que ele deixa de ter pai.

Já não é a primeira vez que este menino diz isso. Talvez, ainda seja demasiado pequeno para entender isso de viver sem o pai.... talvez, não perceba porque razão ele tem o pai, e o meu filho não... sabe-se lá o que vai na cabeça das crianças... sei é que este assunto deve estar a fazer-lhe alguma confusão... por isso, procuro sempre explicar-lhe a partida do pai do Gonçalo com naturalidade, com ligeireza, porque penso que é fundamental abordarmos o tema da morte desmistificando aquela ideia de secretismo, como sendo um assunto a evitar falar...

Infelizmente, a morte faz parte da vida... e devemos falar dela com naturalidade... o Gonçalo ainda é pequeno para entender isso... ainda não entende o que se passou com o pai para ele já não estar em casa, ou não o ir buscar à escola, levá-lo ao parque, ou até mesmo esperar por nós à porta do prédio...

Apesar da sua tenra idade, procuro falar do pai TODOS OS DIAS... em casa, temos várias fotos em, praticamente, todas as divisões da casa... o Gonçalo sabe o nome do pai, sabe quem ele é, sabe que o pai "tem" uma ambulância do tinoni... sempre que vê uma diz "tinoni do pai"...e no fim da nossa prece, à noite, enviamos sempre um  beijo imaginário ao pai que está no tinoni do céu!

Tento que o Gonçalo faça da ausência do pai a sua presença... e que aprenda a lidar com isso de forma saudável... para que um dia, quando lhe disserem, o que aquele menino me disse, ele seja capaz de responder, sem mágoa e de coração puro e sereno, que "Sim, eu tenho pai, e ele chama-se Jorge."

♡♡♡

Aprendi a amar-te de longe*

Faz hoje 11 meses, desde que partiste... quase um ano, desde o dia do nosso último beijo... quase um ano a viver sem ti...

Há uma saudade constante no peito, um vazio impreenchível... a raiva inicial vai desaparecendo e a serenidade volta tímida, mas constante... 

Aprendi a amar-te de longe... e isso, deixa-me mais tranquila, porque o meu amor continua a crescer, mesmo sem te ter... e isso é tão nosso!

Amo-te, meu amor!



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Readaptando ❧

Perder alguém que amamos muito é um dos processos mais dolorosos que se possa suportar... quando essa pessoa partilha a vida conosco, diariamente, o processo tornar-se ainda mais difícil, pois há um vazio que fica sempre por ocupar...  é como se a vida ficasse suspensa... sem saber que rumo tomar...  

É necessário apanhar os cacos e ir construindo de novo... retomar a vida e vivê-la de outra forma... adaptá-la à nova realidade... 

A mudança tem sido ao meu ritmo... uns dias melhores, outros nem por isso... a rotina vai-se adaptando ao meu novo mundo - agora a dois - e, apesar de sentir, que tenho dias em que ando a navegar em mares tumultuosos, a verdade é que, têm sido cada vez mais os dias de calmaria... 

Com o passar do tempo, surge a necessidade de readaptar... de mexer, de alterar, de procurar harmonia... em todos os sentidos da vida! E isso que tenho procurado fazer.. readaptar a minha vida... passo a passo... um dia de cada vez... mantendo sempre o foco no que me faz feliz, no que me faz bem... ignorando {sempre que possível} o que não me acrescenta nada...

Sempre culpei o tempo... cheguei a detestar ouvir esta palavra "tempo"... era sempre ele o mestre, sempre ele a comandar, a decidir... a verdade é que, este tempo que me atormentava, é o mesmo que me faz viver a vida com mais serenidade... a vida não deixa nada ao acaso

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

⇝ coisas da vida ⇝

Todos os dias, ouve-se falar de cancro... um familiar, um amigo, um vizinho... o cancro não escolhe idades, sexo, nem classes sociais... é para todos, sem distinção!

A morte do ator João Ricardo fez-me reavivar todo o processo de luta contra este {maldito} cancro... esta doença que vai matando aos poucos... matando fisicamente, psicologicamente e emocionalmente... 

Lidar com esta doença meses a fio com o conhecimento que se tem dela hoje em dia é das piores sensações que se pode ter na vida... é viver no fim da linha, é manter o equilíbrio em pleno dia de tempestade, é manter o sorriso e a esperança mesmo que estamos um caco por dentro...  

Não vivi a doença na primeira pessoa, mas convivi bem de perto com ela... desde o seu aparecimento até à consciência de que as coisas não estavam a correr nada bem.. é um desgaste físico e emocional tão grande que, inevitavelmente, deixa marcas... deixa aquelas cicatrizes difíceis de curar...aquelas que, ao mais pequeno toque, voltam a sangrar... 

Há uma sensação tão grande de impotência, de raiva, de revolta que chega a ser desumano... 

É um sentimento de desespero que ninguém imagina, uma agonia constante... passei horas a pesquisar testemunhos de casos de sucesso em cancros como o do Jorge, pesquisei medicinas alternativas, pedi muito ao Jorge para irmos aos Frades de Braga que, dizem, possuem xaropes que ajudam na luta contra o cancro, pedi-lhe para ir a uma consulta de um senhor que é conhecido pelos seus chás terapêuticos {parece que "curou" o Marco Paulo}, alterei a nossa alimentação, banindo os doces {li que o açúcar ajudava a alimentar as células cancerígenas}, rezei a todos os santos e mais alguns, prometi, prometi muito... agarrei-me a tudo e mais alguma coisa.... sentia-me tão desgastada e impotente... e, mesmo assim, ele venceu!

Viver o cancro é uma sensação atroz, mesmo que seja "só do lado de fora"... é algo que ninguém deveria de sentir... mas, viver o cancro também é uma aprendizagem, uma lição de vida...  é encarar a vida de outra forma... 




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A pressa de viver*

Temos pressa, mas não queremos que a vida passe depressa!

Li esta frase algures e não posso deixar de concordar... cada vez mais, temos pressa de viver... andamos sempre a correr de um lado para o outro... cumprir horários... temos pressa em chegar a horas ao trabalho, pressa em deixar o miúdo na escola, pressa em almoçar, pressa em andar... 

Se pararmos para pensar nos nossos dias, veremos que, a maioria deles, resume-se a isso: pressa!

Ainda hoje, esbocei um sorriso ao dizer ao Gonçalo "Despacha-te que estamos atrasados"... lá está a pressa... todos os dias...

Queremos tudo para ontem... e esquecemo-nos que a vida tem de ser vivida hoje... sem pressas!

Não é fácil, claro que não... exige da nossa parte uma força interior que nos faça pôr um travão nas pressas do dia a dia e nos faça ter discernimento para saber parar...escutar... e começar a andar com calma...

Tenho sentido isso, também, no meu processo de luto... aquele desejo de que a dor passe depressa, aquela necessidade de ver luz ao fundo do túnel, aquela pressa de que, a nuvem cinzenta que paira sobre mim, se afasta... mas, tal como me dizia a minha Su* {que me conhece tão bem} não posso viver na ânsia de ultrapassar tudo num estalar de dedos... a dor que sinto, não será menor se viver com pressa... poderá ficar camuflada por uns tempos, mas voltará sempre... por isso, é tão importante viver a vida, sem pressas, sem saltar etapas... 

Muitas vezes, nós somos os responsáveis por esta ânsia de viver tudo depressa... basta ir aos shoppings, passar cinco minutos nas redes sociais que já vemos, por todo o lado, árvores de Natal, decorações natalícias... num desejo frenético de antecipar tudo... ainda falta mais de um mês e o espírito natalício já reina na maioria dos lares...

Tudo a seu tempo!

A vida já nos vai absorvendo as energias, as alegrias, as gargalhadas... para quê viver com pressa? Um dia o espetáculo termina e as cortinas fecham-se...

Por isso, tenho procurado viver com mais calma {apesar das correrias do dia a dia... mas tento}, por aproveitar o momento, desfrutar o meu filho, saborear a vida... tudo com {mais} serenidade!


Tenhamos "pressa" em viver o presente!

Amor maior ღ

O melhor dos meus dias... cada gargalhada, cada sorriso, cada vitória são uma lufada de coragem que me ajudam a, pé ante pé, seguir em frente... 

És o melhor!!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"O Natal"

As luzes já piscam nas ruas, as montras já estão decoradas a rigor, as lojas enchem-se de artigos apelativos para mais uma comemoração que mexe com as nossas emoções: o Natal!

Este Natal - como serão todos os outros... infelizmente, as pessoas têm muito a tendência de só se focar no primeiro ano de perda - terá um sabor agridoce... há uma dissonância entre a nossa tristeza interior e os estímulos externos, que nos ditam que esta altura do ano é para ser vivida de forma alegre...

Sempre gostei do Natal... das decorações festivas, do convívio, do cuidado em escolher os presentes {apesar de ser uma época essencialmente consumista}... o espírito de Natal é, sem duvida, mágico...

No ano passado, felizmente, e apesar do estado debilitado do Jorge, ele ainda estava cá... mesmo que não interagisse tanto conosco, mesmo que não estivesse sentado à mesa o jantar todo, mesmo que não nos tivesse ajudado a montar o pinheiro... ele esteve cá... ele participou como pôde... tiramos a nossa foto da praxe em frente ao pinheiro... e trocamos prendas... essa prenda que ele teve o cuidado de pedir para comprar e colocar junto ao pinheiro...essa mesma prenda que traga ao pescoço desde então... 

Apesar de mais fraco, e de visivelmente, diferente, ele nunca deixou de ser o MEU Jorge... sempre cuidadoso, atento e protetor... mimou-me até ao fim... 

Há dias, em que penso nisso, e me dá uma raiva tão grande que só me apetece mandar todo à urtigas... há dias, em que me sinto tão fraca, tão cansada da vida, que acabo por me "desligar" do mundo e das pessoas {Desculpa Su*}... há dias, em que estou rodeada de gente e me sinto terrivelmente só!

E depois, há aqueles dias em que tento pensar que, apesar das bofetadas que a vida me deu, ela também me deu a possibilidade de viver um intenso e grande amor... ela deu-me um filho para amar e cuidar... ela está a dar-me a possibilidade de continuar o trabalho que iniciei com o Jorge, o de amar e cuidar do nosso amor! 

E é nisso que me vou agarrado, nesse amor, nesse "nós" que ficou... e é por esse "nós", que tento encarar o Natal com outra disposição... sei que vai ser uma altura difícil, sei que vou sentir uma enxurrada de emoções, sei que vou sentir aquele vazio ao olhar para o lugar vazio à mesa... apesar de saber disso, vou tentar viver esta época com o coração tranquilo, por mim, por nós e pelo Gonçalo, que não tem culpa que a vida tenha sido malvada conosco e merece viver o Natal como qualquer outra criança...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Minha Su*

Hoje, a minha Su* faz anos... 

Todos temos {ou deveríamos ter, porque é tão bom} aquela amiga que está sempre presente... aquela amiga que sabemos que, custe o que custar, não arreda pé... venha o maior vendaval, que ela mantém-se firme ao nosso lado...

E, eu tenho a felicidade de ter essa amiga - uma raridade nos dias que correm - que não me larga por nada... e como eu gosto disso!

Hoje, a minha Su* faz anos... e não posso deixar de agradecer o teu companheirismo, a tua amizade e dedicação, o teu cuidado, carinho... obrigada por seres quem és... obrigada por ajudares-me a encontrar-me no meio do meus caos... obrigada pelas tuas palavras {diárias}, pelos teus miminhos, pelas tuas gargalhadas, pelas nossas recordações... 

Que a vida seja meiga contigo e que nunca percas 
esse teu lado doce e amigo que tão bem te caracteriza... 

Desejo-te que sejas sempre feliz, e que mesmo no meio da confusão que é a vida, consigas sempre encontrar maneira de sorrir... gosty!! 💗


Uma relíquia esta foto, mas continua tão nossa 💗

O sorriso do outono 🍁

Aproveitamos o feriado municipal para dar corda aos sapatos e tirar umas fotos bem outonais... e ao escolher as fotos do Gonçalo para fazer este post, dei por mim a pensar como eu gostava de puder sentir este estado de felicidade pura que irradia do sorriso e do olhar do meu menino... uma felicidade genuína... o ser feliz com pouco... o viver o momento intensamente... tenho tanto a aprender com ele!







terça-feira, 31 de outubro de 2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

10 meses ✯

Com a mudança de horário, já o dia começa a nascer, quando acordo... o silêncio, este, permanece na minha casa... 

O Gonçalo ainda dorme, e é aquele momento, só meu, em que me encontro comigo, me sento à mesa a saborear a minha cevada {hoje, com uns docinhos fabulosos a acompanhar... Obrigada Alzira} e ganho balanço para enfrentar mais um dia...

A luz entra pela casa, e aquela brisa fresquinha que me ajuda a despertar... há dez meses que é assim... há dez meses que as recordações fazem parte da minha vida.... há dez meses que a saudade convive comigo, bem cravejada no meu peito...

Prometi que iria fazer um esforço {ainda maior} para tentar ver, no meio do caos, o que de bom a vida me deu {e continua a dar}... prometi que vou focar-me mais em mim... prometi e não quero falhar... por isso, hoje, recordo-te com saudades {tantas, mas tantas saudades}.... recordo o que vivi contigo, o que construímos juntos, o que sonhamos e concretizamos... hoje, não quero pensar na tua partida e o quão ela dói... quero a tua imagem a sorrir gravada na minha mente e no meu coração... é esta a imagem que quero ter comigo... SEMPRE💙