segunda-feira, 2 de abril de 2018

Páscoa feliz**

Com o olhar mais límpido e a alma mais leve, encarei mais uma festividade familiar - e só quem passa pela perde do seu amor, sabe como custam essas celebrações, em que a família se reúne, cada um com a sua cara metade e seus filhos...

Mas, este ano, encarei o dia de Páscoa na sua verdadeira essência...  vivendo-o como Deus nos ensina a viver... e dando jus à palavra que acompanha esta festividade: Ressurreição!

Com o Jorge {sempre} no meu pensamento e no meu coração... e com o meu {nosso} filho a alimentar a minha força!

Feliz Páscoa a todos!



terça-feira, 20 de março de 2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

Dia do Pai ღ

A vida dá... tira... e, ao seu jeito, volta a dar... nem sempre da forma como gostaríamos. Talvez ela queira-nos mostrar que a felicidade está nos momentos e nas pessoas certas.

O segundo ano sem o pai custa tanto como no primeiro, e cada vez mais tomo consciência que custará sempre. Não "passa com o tempo". A dor fica ali. Meia adormecida, mas está lá. Sempre. 

Hoje, em mais um dia do pai, quero encarar este dia com o coração em paz por saber que, apesar do Gonçalo não ter cá o pai dele, ele é uma criança abençoada, porque tem na sua vida os melhores "pais" do mundo.

A vida encarrega-se de mostrar que, quando se perde, também se ganha. Estranho, não é? Nem sempre vejo a vida com esta claridade. O estado emocional ofusca-me a razão. Mas, hoje, quero agradecer aos três pais do meu menino.

Ao meu pai, o avô mais dedicado do mundo. O avô que, felizmente já regressou a casa, para, juntos, festejarmos este dia. O avô que, mesmo com a anca partida, agarra na guitarra e dá aquele show que o neto tanto adora. O avô cujos olhos se enchem de lágrimas sempre que se fala no seu menino. O melhor avô. O melhor pai. 

Ao pai...drinho, aquele que tem sido a figura "paterna" mais marcante na vida do Gonçalo. Aquele que está lá sempre. Aquele que acredita incondicionalmente no Gonçalo. Aquele que sei, está e estará sempre ao seu lado. 

Ao pai do meu filho, que, de lá de cima, zela por ele a toda a hora. A nossa maior saudade. Aquele que, tenho a certeza, está de sorriso no rosto por ver o seu menino a crescer feliz. O papá que está no "tinoni do céu"... a cuidar do seu tesouro!

A todos os meus "pais" do coração, 
um dia feliz e um obrigada do tamanho do mundo! 
Sóis os maiores!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Saber esperar**

As idas {poucas, que infelizmente, ainda tenho feridas - bem mais profundas do que imaginava - para curar} ao hospital para visitar o meu pai têm-me proporcionado momentos de reflexão... enquanto espero para entrar, vou-me embrenhando do mundo à minha volta. 

Semblantes tristes. Passos apressados. Sorrisos. Lágrimas. Pais, felizes, carregando o ovinho do seu mais recente rebento. Histórias de pessoas cujas vidas as atraiçoaram. 

O meu pai já lá está há uns bons dias. Vai conhecendo pessoas. Histórias. Ri com uns. Chora com outros. 

Vamo-nos afeiçoado às pessoas. Às suas histórias. Vamos percebendo que todos carregam a sua cruz. Umas mais pesadas do que outras. Mas, todos a carregam. 

Basta um quarto de hospital para perceber que há vidas bem complicadas.

O meu pai já lá está há 21 dias, por isso muitas histórias desfilaram naquele quarto. Mas há sempre aquelas pessoas que marcam mais do que outras.

O Sr. J., que anima os dias com o som do rádio a tocar ou com as suas resmunguices simpáticas. Mas, que desde que soube que teria de ir para um lar, perdeu-se num silêncio perturbador. 

O Sr. A., cuja queda de três metros o deixou agarrado a uma cama. De prognóstico muito reservado. O mundo desaba a qualquer momento. Tudo parece perdido. Mas, a vida, às vezes, lá se lembra de surpreender e como que se de um balão de oxigénio se tratasse, alguns movimentos do seu corpo fazem as lágrimas irromperem de esperança. 

O Sr. R., o mais recente companheiro de quarto, que, do pouco tempo que lá estive, fartou-se de bufar em sinal de protesto. À comida. Às dores. À vida. E, vejam só, à Casa dos Segredos. Dizia ele "olhem me para aqueles... estão melhor do que nós!"

Naquele momento, os sorrisos rasgaram os rostos tristes de quem vê a vida a passar num quarto de hospital.

Tantas vidas, e todas unidas a um verbo fundamental: esperar

Todos os que lá estão têm de esperar. E, acreditem, não é de todo uma tarefa fácil. Esperar que a dor passe. Esperar o resultado de um exame. Esperar pelo médico. Esperar. Esperar.

Numa sociedade cada vez mais "apressada", esperar parece um flagelo. Ninguém tem tempo para esperar. Ficamos irritados, stressados quando há trânsito, fila para pagar as compras, quando a Internet está lenta, e a página demora a abrir, quando o filho demora a tomar o pequeno-almoço ou a tomar banho.

Depois há aquelas esperas que nos vão matando, dia após dia. Conheço muitas esperas. Vivi esperas difíceis de esperar. E em todas elas, tentei convencer-me que a paciência é, e será, sempre a maior das virtudes.

Para uns já é algo de inato. Para outros tem de ser trabalhado. Pertenço a esse segundo grupo, o que tem de trabalhar a paciência, a espera. Não me considero uma pessoa impaciente, mas sinto necessidade de ser melhor nessa arte de esperar.

O meu Jorge era um poço de paciência. E, quando me sinto mais agitada, lembro-me dele, e da sua agilidade natural em ser paciente. E ponho um travão nessa pressa que me consome.

O mundo gira sempre à mesma velocidade. A nossa pressa não irá alterar a sua velocidade.

Parar. Pensar. Ficar a só conosco. Ouvirmos o nosso silêncio.

Eu sei que a vida é uma correria, que há horário a cumprir, mas porque não tentar?

Há dias, esperava a minha mãe para almoçar no shopping. Esperei meia hora. E o que fiz eu desses 30 minutos de espera? Li um livro. Encostei o telemóvel. Deixei-me ficar no carro a ler. Alienei-me do mundo, naqueles 30 minutos. E que bem que me soube. Podia ter feito imensa coisa. Mas optei por aproveitar aquela espera para fazer algo que gosto: ler.

Saber esperar é uma arte cada vez mais em desuso. Uma arte que é fundamental repensar, e sobretudo praticar, todos os dias, sob pena de sermos engolidos pela nossa ânsia de acelerar a vida.








sexta-feira, 9 de março de 2018

O Dia do Pai*

Eu sei que todos os anos festeja-se o Dia do Pai, e sei que, todos os anos, será mais um dia difícil de enfrentar!

O primeiro Dia do Pai, sem o pai cá, foi complicado... já o sabia de antemão que seria. O padrinho {ou Pai...drinho, como costumo chamar} marcou presença nos festejos da creche para que o Gonçalo não sentisse a ausência da sua figura masculina.

Este ano, o segundo ano, pensei que seria mais fácil encarar esse dia, mas a ferida demora a cicatrizar, e ao mais pequeno toque, lá volta a sangrar...

Hoje, um dos meninos da escolinha dele chegou ao pé de mim e mostrou-me um trabalhinho que a professora {que não é a do Gonçalo, por isso não sei se ele terá algo do género ou diferente} enviou para que elaborasse com o pai.

As mãos de ambos pintadas numa folha. Achei amoroso.

Na inocência dele {se bem que ele já sabe que o pai do Gonçalo não está cá} perguntou-me se o Gonçalo também iria fazer o trabalho. Por uma fração de segundos fiquei sem resposta.

"Não sei", respondi. 

Tal como não sei como será daqui para a frente sempre que houver o Dia do Pai {ou qualquer outra atividade ligada ao pai}. Não sei como lidarei com tudo isso.

Sei que me sinto impotente por não puder dar ao meu filho aquilo que ele merecia. Um pai fisicamente presente {porque espiritualmente não tenho dúvidas que esteja sempre com ele}. O seu companheiro para a vida, aquele que faria os trabalhos da escolhinha com ele. Que o iria buscar à escola. Que o esperaria na porta do prédio. O levaria às cavalitas ou o atiraria ao ar, como tantas vezes fazia.

O Gonçalo ainda é pequeno para ter percepção dessa ausência física do pai, mas um dia... aquele dia.

Acredito que na altura saberei o que dizer, o que fazer. Tenho plena consciência de que tudo se resolve a seu tempo. Sei disso tudo, mas... há coisas que por mais que se saiba, doem para lá do imaginável!


quinta-feira, 8 de março de 2018

O dia 8 de março*

O dia 8 de março é uma data que me diz muito. Por ser um dia importante para todas nós, mulheres. Por enaltecer a grandiosidade da mulher, que, cada vez mais, tem de se desdobrar em muitos "eu" para fazer frente às exigências da vida.

Não basta nascer mulher. É preciso ser-se mulher. E ser mulher é não só cuidar de si, mas sobretudo cuidar dos outros. 

O dia 8 de março também, simboliza a purificação, a , pois foi o dia escolhido para batizar o meu filho. 

Uma feliz escolha entre estes dois acontecimentos, que farei de tudo para que sejam as premissas para que o meu Gonçalo cresça respeitando o que esta data simboliza: o respeito a Deus e ao próximo!

{Feliz Dia da Mulher 🌸}

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ser feliz?

A vida encarrega-se de colocar no nosso caminho as pessoas "certas". Aquelas que nos vão ajudar a construir o nosso "eu".

Há pessoas que nos ajudam, mostrando-nos o que a vida tem de belo, outras que o fazem da forma oposta. Ambas ensinam. Uma a seguir o exemplo, outras a evitar.

Ao longo da minha vida, tenho trilhado o meu caminho com umas e com outras. Algumas ficaram pelo caminho, outras foram se juntando à minha caminhada, outras ainda vou surgindo e desaparecendo dela... Quero muito acreditar que nada é por acaso. Que as que não nos dizem nada, aquelas pessoas que nada nos acrescentam são também peças fundamentais para sermos um ser humano melhor. Porque não queremos ser como elas. Tem de haver um ensinamento em tudo o que a vida nos impõe.

E, neste acaso que é a vida, vou conhecendo pessoas que também trilharam ou trilham o mesmo caminho sinuoso que é a viuvez!

Quando se perde o amor da sua vida tão precocemente, há um desejo inato de encontrar casos "iguais" ao nosso... de perceber que não somos as únicas!  De sentir que há casos de superação. Exemplos de vida. De quem agarra a vida com firmeza e não se deixa engolir pelos desafios. Conheço muitas mulheres que souberam dar luta ao luto. Comovo-me com cada uma delas. Revejo-me em todas. Sinto aquele aperto da impotência perante a grandiosidade que é a vida.

Esta semana, numa das idas ao hospital para visitar o meu pai, soube que a esposa do companheiro de quarto do meu pai, tinha ficado viúva com 30 anos, e com três filhos para criar. Engoli em seco. Quando entrei no quarto, ela estava lá. Cumprimentei e fiquei junto do meu pai. Senti o olhar dela. Aquele olhar.

Ela sabia que eu estava a passar pelo que, outrora, também passara.

Naquele dia, o marido teve alta e vieram despedir-se dele. Ao sair do quarto, a senhora veio ter comigo. Abraçou-me tão forte, como se me conhecesse há anos. E sussurrou ao meu ouvido: "És linda! Ainda vais ser muito feliz!"

Encolhi os outros, e soltei um tímido "Não sei". Ela abanou afirmativamente a cabeça, "vais vais!"

Mexeu comigo. Senti-me a fraquejar. A resposta foi genuína. Não sei se vou ver feliz. Sei que não o sou. Talvez um dia volte a olhar para a vida de outra forma. Para já não.

Confesso que também não senti que aquela senhora fosse "feliz". Talvez por estar com o atual marido no hospital. Talvez pelo cansaço que acarreta uma hospitalização. Talvez. Mas não senti essa felicidade. Tal como sinto que também não a terei.

Ser feliz é muito. Ser feliz é tudo. E, infelizmente, falta-me, e faltará, sempre o meu alguém para esse tudo!

8 ano*

Foi há 8 anos que tudo começou... o primeiro beijo... o verdadeiro amor... o amor para a vida toda

Parabéns a nós, Amor... onde quer que estejas, hoje é, e será sempre o nosso "para sempre"!

Amo-te daqui até aí 


segunda-feira, 5 de março de 2018

A vida é uma estrela cadente**

"Uma estrela cadente só dura um segundo, mas você não fica feliz de pelo menos ter visto?"*

A vida é feita de pontos finais. Ela faz-nos mudar de parágrafo. Faz-nos virar a página, mesmo que seja contra a nossa vontade. A vida mostra-nos que alguns acontecimentos duram o tempo necessário para serem inesquecíveis. 

Mesmo que algo não tenha durado "para a vida toda", tal como seria o nosso desejo, é sempre melhor do que nunca ter existido.

É nessa linha de pensamento que me vou agarrando para trilhar o meu caminho. Quantas vezes, ao pensar no rumo que a minha vida tomou, não sinto o coração a apertar, aquela dor de barriga a aparecer, a ansiedade a espreitar. Quantas vezes não sinto vontade de voltar para trás, de reviver aquela vida que tanto desejei. Entristece-me. Magoa-me. Mas, a verdade é que se tenho todos esses sentimentos dentro de mim é porque existiu algo para que eu pudesse recordar, mesmo que com aquela dor da saudade. 

Alguns momentos da nossa vida são como faíscas... rápidos, mas intensos... Tal como foram os meus seis anos com o Jorge. Rápidos e intensos... tão intensos! Eu costumo dizer que vivi uma vida em seis anos. Conhecemo-nos, casamos, tivemos um filho! Há quem precise de muitas "vidas" para isso. A vida "deu-nos", apenas, seis anos, seis magníficos anos, que felizmente, soubemos aproveitar muito bem. E estou tão grata por isso. Porque, cada vez mais, acredito que tudo tem o seu tempo. E que este foi o nosso. 

É como aquele livro que gostamos muito, em que há ali duas ou três páginas que nos marcam mais, e que até dobramos o cantinho da folha, porque mexeram conosco, e queremos guardar, porque ficarão para sempre em nós. Com as pessoas, com a vida também é assim. Não podemos "dobrar" o cantinho, mas podemos guardar naquele cantinho do nosso coração para que nunca se perca, nunca esmoreça. Porque somos como estrelas cadentes... que podem não durar mais do que um segundo, mas cujo brilho será eterno...

** A foto traduz a banalidade da vida. Um simples ato do nosso dia a dia, tão banal, tão corriqueiro, mas que, só de ver, me faz engolir em seco tamanha é a falta que isso me faz! 


*Inspiração aqui

sexta-feira, 2 de março de 2018

61/365

Não sou de publicar essas coisas. Guardo-as para mim. Mas, o que tem acontecido na Síria mexe demasiado. É de uma crueldade sem tamanho. Dói de ver e nem é possível imaginar o quanto dói de sentir. A espécie humana está perdida. 

Tanto ódio, tanta ganância, tanta maldade... vidas perdidas em vão. Pais perderem filhos por causa de questões que lhes são alheias é de uma atrocidade extrema... 

No conforto do nosso lar, ficamos chocados, abanamos a cabeça. Emocionamo-nos e abraçamos os nossos filhos. Aqueles que protegemos com todas as nossas forças. Os filhos que, também, aqueles pais querem proteger, mas que lhes são cobardemente roubados. 

Vergonha deste mundo!


Pinterest

O Expresso dedicou uma edição especial e gratuita sobre a Síria. Aqui para quem quiser ler. Ao ler cada palavra, cada testemunho, sentimo-nos tão pequeninos perante tamanha dor.