segunda-feira, 20 de março de 2017

{Desabafos}

Há tempos, encontrei um site que fala do Luto {Vamos falar sobre o luto} e um dos artigos chamou-me a atenção porque falava sobre as 9 coisas que nunca se deve dizer a quem perdeu alguém... e apesar de todas serem verdade, duas têm mexido mais comigo, até porque já andava há algum tempo para falar sobre isso...

Uma delas é o: "Como estás?"

Sei que a pergunta vem repleta de boas intenções, que as pessoas preocupam-se comigo, mas confesso que, há alturas, em que ficava a olhar para a pergunta e não sabia o que responder... como é que eu estou? Bem, nem eu sei bem como estou... vou vivendo, porque simplesmente não tenho outro remédio!

Também me dizem, muitas vezes: "Estás a reagir melhor do que eu esperava", "Estás com bom aspeto", "Sabes, é bom chorar"...

Confesso que não sei como interpretar isso, não sei memso... "estás a reagir bem"! Muitas vezes, quando volto para casa {que é o momento em que me cai a ficha, em que levo uma chapada da realidade assim bem de frente} e penso nisso "até estás a reagir bem"...

O que é suposto fazer? Deixar de viver? Deixar de cuidar do meu filho? 

O que é suposto fazer? Chorar copiosamente todo o dia? Deixar-me cair num estado de depressão?

Digam-me, o que é suposto fazer? 

Eu não estou a reagir nem bem, nem mal... eu estou a tentar viver, simplesmente porque não tenho outro remédio, simplesmente porque tenho um filho com dois anos e meio para cuidar, para educar... tenho um filho que precisa de mim e que precisa de mim bem... tenho um filho que precisa do meu amor, da minha atenção, do meu carinho... 

Se choro? Choro sim, choro muito...choro comigo, choro em casa, choro no carro, choro a ouvir música, choro ao ver a minha casa vazia, choro quando leio o nome dele na lápide {e sinto o meu coração a apertar}, choro agora... choro quando tenho de chorar e não quando é suposto, para os outros verem e terem pena de mim...

Também aguento o choro, e acreditem que aguento-me à bronca... quantas vezes, apetece-me chorar, mas faço-me de forte... e sofro sim, e digo-vos mais, dói todos os dias e a toda a hora... ainda não acredito no que aconteceu e que vai ser para sempre... e talvez isso faça com que esteja a viver "na minha bolha protetora", em que finjo que ele está a trabalhar e vai voltar, em que penso que afinal sonhei... 

Muitas vezes {tipo hoje}, apetece-me ficar na cama e ficar lá sossegada o dia todo... sim, também tenho desses momentos em que me apetece mandar tudo à merd@, desistir de tudo... mas, depois penso no meu filho, no sorriso dele, na alegria de viver dele e penso que estaria a olhar só para o meu umbigo... e por isso, vou... viver? sobreviver? Vou, porque é assim que tem de ser, porque sei que era isso que o Jorge faria e quereria que fizesse... porque, não posso, nem tenho o direito de negar ao meu filho isso: ser feliz!

Por isso, rio, canto, brinco, saio, vou ao parque, ao shopping... ainda ontem, fomos a uma sessão de música, que ele adora... e ontem, foi o Dia do Pai... e ontem falaram dos pais, e ontem,  pediram para mimar os pais... e eu? Aguentei-me mais uma vez, ia fraquejando, mas respirei fundo, pus o meu mais belo sorriso e diverti-me com o meu filho... 

Nem sempre quem mais chora é quem mais sofre... simplesmente, a vida ensinou-me a ser forte, ensinou-me que ela não é cor de rosa, ensinou-me que as coisas más também acontecem às pessoas boas... 

Se estou bem? Não, não estou... mas, a vida não para e eu tenho uma de 32 meses cheia de alegria  e de sonhos para cuidar, educar e amar!!!



3 comentários:

susana disse...

E que a música que o Gonçalo toca, simples, bela e tao ingénua, te guie, guie os teus passos sempre e encha o teu coraçao de muita felicidade! Cada um tem o seu ritmo, segue o teu! Só tu e o Pikaxu importam linda, só vós! ❤

A Vida a Três disse...

💙💙💙 Obrigada! És especial!

Mafalda disse...

Às vezes acho que as pessoas só querem ajudar, mas não sabem como. Já passei pela morte do meu pai e da minha mãe. E a pior coisa que me podem dizer é quando vou a algum funeral "então tu que já tens experiência explica lá como é que isto funciona", vindo claro de pessoas que por sorte (ou não) nunca foram a um funeral na vida.
Também acho que o pior em todas essas pessoas que oferecem ajuda, é que depois realmente ajudam-nos 2 ou 3. Acho que se deveriam fazer menos promessas vãs nestes momentos.