quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional**

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Cada um de nós sabe o que é ter dor... uma dor de cabeça, dores musculares ou dor de dentes... é algo inevitável... a vida é feita de momentos de dor... umas mais intensas do que outras, umas mais persistentes, outras esporádicas... e como tudo na vida, temos duas opções... ou aguentamos a dor, e a nossa vida torna-se um inferno, ou fazemos algo para a atenuar ou, quiçá, eliminar...

Essas dores, a priori, são dores fáceis de suportar... mas, existem outras dores que vão surgindo ao longo da nossa vida... e essas, são bem mais difíceis de se lidar... essas ficam cravadas em nós de tal forma que não há ben-u-ron que nos valha... essas passam a ser crónicas... dói e irá doer sempre, não há volta a dar...

Por mais que o tempo passe, a dor continua... fica ali a remoer... como quando temos aquela pedrinha no sapato que teima em não sair... está ali e vamos ajeitado o pé a ver se dói menos... e lá vai ficando num cantinho mais suportável, durante uns tempos, mas sabemos que está ali, porque de vez em quando, lá a sentimos...

Eu sei que terei sempre comigo essa dor... mas, como sempre tenho dois caminhos: ou mergulho de cabeça nessa minha dor e sofro a vida toda, ou ergo-me e tento trilhar o meu caminho, olhando para a frente e enfrentando com coragem e determinação, o que a vida escolheu para mim...

O que quero dizer com isso, é que essa dor da perda, que tanta gente tem, que EU tenho, fará sempre parte de mim, mas posso escolher se quero que esta dor se torne no meu sofrimento... e toda a gente sabe que uma vida de sofrimento é muito difícil de ser vivida...

E o que faço para atenuar o meu sofrimento? Bem, para além de ajuda médica e psicológica, que têm sido fundamentais nesta fase... também procuro evitar o sofrimento... se sei que algo não me fará sentir bem, simplesmente não faço, não vou... se fosse, noutra altura, pensaria no que iriam dizer por eu não ir, não fazer... hoje, procuro pensar em mim, procuro fazer aquilo que me faz bem, independentemente dos comentários alheios... A vida é demasiado efémera para fazermos o que não queremos... muito curta para sofrermos!

E sei que é assim, que pensaria o meu Jorge... porque ele é o exemplo de que a  a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional... apesar de todo um diagnóstico muito reservado, de saber que a doença estava a vencer, ele nunca optou por sofrer... Ele chegou a dizer-me {a única vez que falamos abertamente da doença}, que sabia que morreria da doença, mas que não queria perder qualidade de vida... a dor sempre esteve lá, via-se que estava, mas ele continuava a viver como se não estivesse, lutou sempre para que a dor não se tornasse no seu sofrimento!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Friday's inspiration ❥

De pequenino...

Toda a gente sabe {ou deveria saber} que a educação é a base de qualquer ser humano... e refiro-me a qualquer tipo de educação... porque educação não é só adquirida na escola, através de conhecimentos específicos em Português, Matemática ou Ciências, mas sim a educação familiarsocial... e é desta que venho falar hoje, da educação para a vida... aquela que formará meninos e meninas em futuros homens e mulheres, aquela que moldará as suas personalidades... porque afinal, as crianças de hoje serão os adultos de amanhã... e perante o panorama atual é importante que os adultos de hoje façam alguma coisa...

Ontem, aconteceu um episódio, que por mais irrelevante que seja para muitos, mexeu comigo e deixou-me a pensar como uma cabecinha tão pequena já consegue fazer este tipo de seleção... 

Ora bem, ontem, ao ir buscar o Gonçalo a minha mãe perguntou a uma menina se ela gostava de brincar com ele, ao que ela respondeu, prontamente, que não! A minha mãe perguntou qual era a razão deste não tão firme... "Porque ele é feio!" 

Bem, só gostava de ter visto a cara da minha mãe, porque se eu sou mãe galinha, ela é a mãe da mãe galinha... e quem mexe com o Gonçalo...upa upa... a minha mãe explicou-lhe que o menino não era feio, que deviam todos de brincar juntos, mas ela continuava firme na opinião dela {que, cá para nós, só revela falta de bom gosto, porque o meu filho é giro que se farta}

Podíamos não valorizar, mas sei que também mexeu com ela, principalmente depois de ter visto na televisão um caso de uma criança que tinha sido vítima de bullying... dizia ela, vês eles começam cada vez mais cedo! E  não deixa de ser verdade...

Por mais que este episódio tenha acontecido com  uma criança de 3-4 anos, e de já sabermos que o que hoje é feio, amanhã é lindíssimo... a verdade é que, não deixa de ser um comentário depreciativo e ofensivo proferido da boca de uma criança de 3-4 anos... e aí é que reside o problema... estes comentários são cada vez mais precoces e já revelam uma capacidade de saber selecionar as amizades baseada nos critérios da beleza, quando na verdade são apenas crianças e o que querem {ou deveriam querer} é brincar uns com os outros, independentemente de serem bonitos, feios, gordos ou magros... 

Isto mostra, claramente, que estamos a falhar... como pais, como pessoas, como cidadãos...  

Até podia não partilhar este episódio, afinal são crianças, mas vejo-o como uma alerta para que, nós pais, possamos parar e pensar na educação que damos aos nossos filhos... não só nesta questão de escolher amizades pela beleza, mas também pelo saber partilhar, pelo saber ajudar o próximo, saber ser tolerante... diariamente, procuro incutir isso ao meu filho... poderei até falhar, mas sei que trabalho para isso... trabalho para que ele seja uma criança feliz, que brinque com TODOS os meninos, saiba partilhar, saiba cuidar dele e dos outros... 

O meu recado para esta menina, que afinal chamou o meu filho de feio, é que não julgue pelas aparências, porque tal como o patinho feio se transformou num lindo cisne... um dia, quiçá, aquele que chamaste de feio hoje, amanhã até te arrebatará o coração... olha que o mundo dá muitas voltas!!



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Um novo voo ❧

Chegou a hora de voares bem alto, de trilhares novos caminhos, descobrires novos mundos... que esta nova aventura te traga ainda mais alegria para sorrires e viveres a vida em pleno...

O meu coração fica apertadinho, mas a vida é feita de novos horizontes... 

Hoje, começa uma nova etapa... para ti.... para mim...






terça-feira, 12 de setembro de 2017

"Viúva"

Foi um processo complicado assimilar a ideia de que, perante a sociedade, o meu estado civil é este.. viúva... escrevo perante a sociedade, porque para mim, sou e serei sempre casada com o Jorge...

Hoje, já não temo tanto as palavras menos coloridas, aquelas palavras pesadas, aquelas que nos apertam a alma, aquelas palavras que vêm carregadas de mágoa... morte, cancro, viúva...

A primeira vez que me perguntaram o meu estado civil, gelei... demorei a responder... soltei um tímido e magoado: viúva...

Saí rapidamente, larguei em prantos... amaldiçoei o universo, tive pena de mim... senti-me minúscula...

Hoje, aprendi que ser viúva é para os outros... para a sociedade, não para quem o é... eu sei que o sou, mas não o sinto.. não o vivo... sou casada, uso aliança, respeito-o e continuo a amá-la, tanto ou mais do que antes... a morte só separa se quisermos... o sentimento continua intacto...

Ser-se viúva é viver com a saudade cravada no peito... é ter uma ferida constantemente aberta, mas é também saber que se amou {e se ama}, que se viveu e que se continua a viver, porque afinal ser viúva é estar VI(ú)VA !


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A vida ❣

Lembro-me, frequentemente, de uma das minhas conversas com a minha psicóloga, em que desabafava, que tinha dias em que me sentia bipolar... que havia dias em que, até acordava "bem", mas bastava entrar no carro e ouvir uma música que me tocasse mais, que não conseguia controlar as lágrimas...

Lembro-me de lhe ter dito, que sentia que, ao longo do meu dia, tinha momentos de serenidade, mas bastava alguma lembrança para me "ir abaixo"...

Lembro-me de lhe ter dito, que detesto sentir-me assim...

Com a sua calma, pediu-me para reproduzir o barulho do bater do coração... meia sem jeito, lá o reproduzi, enquanto isso, ela lá desenhava o ritmo no papel...

Posto isso, mostrou-me que a vida é como o traçado do ritmo cardíaco... cima, baixo, cima, baixo... e que sem este sobe-desce... simplesmente, não há vida!

No nosso dia a dia é igual... temos momentos que nos fazem sentir bem {e desenhava na folha de papel uma linha a subir}, e momentos menos bons {reta a descer}... e que são estes momentos em que estamos em baixo, que ganhamos força e impulso para subir com força... porque sem isso, a linha mantém-se na horizontal...

É, sem dúvida, a metáfora da minha vida  


domingo, 10 de setembro de 2017

Beleza Colateral

A beleza está oculta... está no sorriso do meu filho... nos abraços apertadinhos... nas gargalhadas sonoras e genuínas dele... nas amizades especiais... nas lágrimas libertadoras... nas lembranças que roubam sorrisos... no amor eterno... 

Beleza Colateral... a vida assemelha-se a um triângulo cujas vértices são o Amor, o Tempo e a Morte...  todos ansiamos por amor... desejamos ter mais tempo... tememos a morte...  

Mais um daqueles filmes que nos fazem refletir sobre a vida....