quarta-feira, 26 de abril de 2017

A ti...

Há, quase 4 meses, que me despedi de ti... quase quatro meses que não te vejo, não ouço a tua voz, que não te toco, que não te sinto... 

Há quase quatro meses... 120 dias sem te ver!! Bolas, nunca ficamos mais do que um dia, vá dois, na loucura, sem estarmos juntos... queixava-me sempre quando chegavas de um turno da noite e eu já tinha saído e já não te via há muitas horas... tu rias-te da minha tolice! E lá vinhas ter comigo para um beijinho rápido...

Há quase quatro meses, que chego a casa e ela está vazia.... vazia de ti, de nós!

Há quase quatro meses, que não vês o teu filho crescer, que não vês as novas aquisições dele... como adorava que o visses a comer sozinho, parece um homenzinho, como gostava que o ouvisses a cantarolar ou a tocar viola... sabes, ele adora tocar viola... acho que vai dar músico... esquece lá isso de ele jogar à bola, acho que a minha esperança de ser uma Dona Dolores foi por água abaixo...

Sabes, pode parecer parvo eu escrever-te, sabendo que provavelmente não irás ler {vamos acreditar que lês, como sempre o fizeste}, mas sabes que sempre tive mais queda para escrever do que para falar... e tu dizias "Escreve, mulher!", quando ficava muito tempo sem escrever no blogue... no outro dia, descobri um texto do blogue que escrevi no dia dos teus anos, e que tu imprimiste e guardaste... é mais um sinal de que faz todo o sentido escrever-te, porque ao fazê-lo sinto que tu estás perto... 

Nem sempre consigo escrever o que vai cá dentro, não é fácil passar para palavras o que sinto... e tu perguntarias "E o que sentes? SAUDADES... muitas saudades, bolas, tantas saudades tuas... 

Saudades de tudo... de ti, de nós os dois, de nós os três...

Lembras-te quando eu dizia que detestava quando fazias noite, porque ficava sozinha com o menino? Ironia da vida, não é? Agora estamos sozinhos SEMPRE!! Eu sei, eu sei, estás sempre conosco, mas não é a mesma coisa... não te vejo, não te toco, porra!!!

O nosso pequeno também sente a tua falta, à maneira dele, mas sente... ainda hoje, no elevador, entrou o vizinho de baixo e ele agarrou-se a ele... bolas, que merd@de vida é essa que tira a um filho um pai fantástico como tu?!?

Hoje apetece-me dizer-te que, apesar da minha vida estar desfeita em cacos, de não conseguir ver sentido no que nos aconteceu, de não conseguir sentir que a dor atenua com o tempo... apesar de, muitas vezes, me sentir uma merd@, de me sentir perdida, apesar disso tudo e, se tu realmente estás a ver, sabes disso... apesar disso, faço de tudo para que tenhas orgulho na tua mulher... porque sabes que não é fácil gerir tudo, sozinha... não é fácil tratar da casa, das contas, do Gonçalo, do carro, do trabalho, das vicissitudes da vida, sozinha... não é fácil educar um filho, sozinha... fazer escolhas, sozinha... eu tento, juro que eu esforço-me para conseguir dar conta do recado... que eu esforço-me para que te sintas orgulhoso da pessoa que escolheste... 

Mas "estás mais amarga", dirias... sim, estou! Mais sem paciência para queixumes banais, mais sem paciência para pessoas que passam a vida a lamentar-se... tento {nem sempre consigo} forcar-me em mim e no menino... tento não ligar a determinados pormenores que me matam por dentro, tento viver a vida que me calhou, que foi perfeita enquanto cá estiveste... perfeita amor, tão perfeita que dava por mim a pensar que era bom demais para ser para sempre...

És o meu tudo!

PS: Amo-te!



quarta-feira, 12 de abril de 2017

😢

Faz hoje um ano que a minha vida virou do avesso!!! 

A notícia caiu como uma bomba… Cancro!! Ninguém está preparado para enfrentar essa doença, seja em qualquer altura das suas vidas, e muito menos com 38 anos!! Ninguém merece, ninguém entende... lembro-me desse dia como se fosse hoje... lembro-me das palavras da médica ao telefone, lembro-me de ter sentido o chão a fugir-me, lembro-me da voz dele ao falar comigo depois da operação, lembro-me de engolir em seco sem saber o que lhe dizer, lembro-me de não ter pregado olho a noite toda, lembro-me de ter pedido à minha mãe para dormir comigo, lembro-me desejar que o sol nascesse depressa para voltar a abraçá-lo bem forte... 

Maldita doença!!





terça-feira, 11 de abril de 2017

Como se encara a vida depois da perda?

.... ainda não sei responder a essa pergunta sem ser com um "vive-se", porque, na realidade é mesmo isso que se faz...vive-se e ponto!

Três meses após a partida do Jorge e da confusão dos primeiros tempos, as coisas vão normalizando... as pessoas já não te perguntam tantas vezes "Como estás?", a tua rotina parece ajustar-se à nova realidade... mergulha-se de cabeça no trabalho, evita-se pensar na porcaria de vida que te calhou... e finge-se que estamos no bom caminho!

Confesso que há dias bem mais complicados, em que a tua vontade é mandar tudo à merd@, há dias em que as saudades são tantas que dói, há dias em que te perguntas "porquê ele? porquê nós?", há dias em que te custa ver a felicidade dos outros estampada nas redes sociais, há dias em que pensas "caramba, porque é que eu também não posso estar com o meu marido e o meu filho a aproveitar o que de bom a vida tem?", há dias em que te dá um nó no estômago ao perceber que o teu filho não terá o abraço amigo do pai ao longo da vida como a maioria dos meninos, há dias {todos os dias} em que olho para o cemitério da varanda de casa e penso "mas porque raio é que estás ali e não aqui? Porquê?", há dias que pensas no quão o Jorge gostava de viver.... confesso, que há dias que, efetivamente, não são dias bons....

Como se encara a vida depois da perda? Não sei, vou aprendendo.... no domingo, enquanto conversava com a minha madrinha, ela disse-me que, perder alguém que amamos é como perder uma parte de nós, perder no sentido literal... amputar uma parte de nós e aprender a viver sem ela... sem um braço, uma perna... custa, dói muito, mas vai-se aprendendo a viver nessa condição... 

Talvez, um dia, aceite isso... talvez um dia, volte a olhar para a vida de maneira diferente, talvez um dia... até lá, vai-se vivendo...

domingo, 9 de abril de 2017

Feliz Dia dos Padrinhos!

Aos melhores padrinhos do mundo... os do meu filho!! {os meus também o são! Gosto bem deles!} um sincero obrigada pelo carinho, dedicação, atenção e, sobretudo, amor que demonstram para com o Gonçalo... sois os maiores!!! 

A ti, "pádim", obrigada por estares sempre presente e atento... obrigada por fazeres do meu pikachu um menino feliz...

A ti, madrinha, obrigada pelo teu amor e preocupação... sei que não deve ser fácil estares longe, querendo estar perto... mas sabes? Ele gosta de ti daqui até à Lua!!!

A vocês, padrinhos emprestados, Magda e André, obrigada por amarem o meu menino e contribuírem para que os dias dele sejam bem mais coloridos... 

O meu menino é um sortudo por estar rodeado de pessoas fantásticas que o amam e cuidam dele com todo o carinho.... 

Gonçalo manda dizer que vos ama muito aos quatro! 




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Aquilo que me move!

Vê-lo feliz... vê-lo a sorrir!

É, sem sombra de dúvida, a minha bóia de salvação!







Com o padrinho ou "pádin" {como ele diz}

💙

quinta-feira, 30 de março de 2017

3 meses 😪

Já escrevi, já apaguei, voltei a escrever, e voltei a apagar e sabes que mais? Não consigo escrever o que me vai na alma, porque simplesmente a sinto vazia.... vazia de ti, vazia de tudo!

Amo-te {para todo o sempre!}


segunda-feira, 20 de março de 2017

{Desabafos}

Há tempos, encontrei um site que fala do Luto {Vamos falar sobre o luto} e um dos artigos chamou-me a atenção porque falava sobre as 9 coisas que nunca se deve dizer a quem perdeu alguém... e apesar de todas serem verdade, duas têm mexido mais comigo, até porque já andava há algum tempo para falar sobre isso...

Uma delas é o: "Como estás?"

Sei que a pergunta vem repleta de boas intenções, que as pessoas preocupam-se comigo, mas confesso que, há alturas, em que ficava a olhar para a pergunta e não sabia o que responder... como é que eu estou? Bem, nem eu sei bem como estou... vou vivendo, porque simplesmente não tenho outro remédio!

Também me dizem, muitas vezes: "Estás a reagir melhor do que eu esperava", "Estás com bom aspeto", "Sabes, é bom chorar"...

Confesso que não sei como interpretar isso, não sei memso... "estás a reagir bem"! Muitas vezes, quando volto para casa {que é o momento em que me cai a ficha, em que levo uma chapada da realidade assim bem de frente} e penso nisso "até estás a reagir bem"...

O que é suposto fazer? Deixar de viver? Deixar de cuidar do meu filho? 

O que é suposto fazer? Chorar copiosamente todo o dia? Deixar-me cair num estado de depressão?

Digam-me, o que é suposto fazer? 

Eu não estou a reagir nem bem, nem mal... eu estou a tentar viver, simplesmente porque não tenho outro remédio, simplesmente porque tenho um filho com dois anos e meio para cuidar, para educar... tenho um filho que precisa de mim e que precisa de mim bem... tenho um filho que precisa do meu amor, da minha atenção, do meu carinho... 

Se choro? Choro sim, choro muito...choro comigo, choro em casa, choro no carro, choro a ouvir música, choro ao ver a minha casa vazia, choro quando leio o nome dele na lápide {e sinto o meu coração a apertar}, choro agora... choro quando tenho de chorar e não quando é suposto, para os outros verem e terem pena de mim...

Também aguento o choro, e acreditem que aguento-me à bronca... quantas vezes, apetece-me chorar, mas faço-me de forte... e sofro sim, e digo-vos mais, dói todos os dias e a toda a hora... ainda não acredito no que aconteceu e que vai ser para sempre... e talvez isso faça com que esteja a viver "na minha bolha protetora", em que finjo que ele está a trabalhar e vai voltar, em que penso que afinal sonhei... 

Muitas vezes {tipo hoje}, apetece-me ficar na cama e ficar lá sossegada o dia todo... sim, também tenho desses momentos em que me apetece mandar tudo à merd@, desistir de tudo... mas, depois penso no meu filho, no sorriso dele, na alegria de viver dele e penso que estaria a olhar só para o meu umbigo... e por isso, vou... viver? sobreviver? Vou, porque é assim que tem de ser, porque sei que era isso que o Jorge faria e quereria que fizesse... porque, não posso, nem tenho o direito de negar ao meu filho isso: ser feliz!

Por isso, rio, canto, brinco, saio, vou ao parque, ao shopping... ainda ontem, fomos a uma sessão de música, que ele adora... e ontem, foi o Dia do Pai... e ontem falaram dos pais, e ontem,  pediram para mimar os pais... e eu? Aguentei-me mais uma vez, ia fraquejando, mas respirei fundo, pus o meu mais belo sorriso e diverti-me com o meu filho... 

Nem sempre quem mais chora é quem mais sofre... simplesmente, a vida ensinou-me a ser forte, ensinou-me que ela não é cor de rosa, ensinou-me que as coisas más também acontecem às pessoas boas... 

Se estou bem? Não, não estou... mas, a vida não para e eu tenho uma de 32 meses cheia de alegria  e de sonhos para cuidar, educar e amar!!!