quinta-feira, 20 de julho de 2017

Voltar a ser mãe

É, mais ou menos, isso que sinto... que voltei a ser mãe... voltei no sentido em que tive de repensar no meu papel de mãe... e de pai... não que algum dia vá substituir o pai, isso jamais... o Gonçalo tem um pai e, apesar de, infelizmente, não se lembrar por ser muito pequeno, eles foram felizes juntos e tiveram momentos fantásticos... mas a verdade é que, o meu papel como mãe ganhou outro sentido, outra responsabilidade....

Todos os pais sabem que a maternidade é um desafio constante... não há tempo para intervalos... os filhos não tem o modo pausa, que tanto jeito dava, em determinada altura das nossas vidas... e,  se inicialmente, que éramos dois a cuidar e a educar o Gonçalo, já achava um desafio e tantos, agora que estou sozinha com ele, o desafio torna-se ainda maior!

Três semanas após a partida do Jorge, regressei a casa com o meu filho, decidida a fazer frente à realidade que tinha de encarar... foi a melhor decisão que tomei!

Mas, confesso que tomar decisões é o meu calcanhar de Aquiles... e então quando se juntam  as palavras "decisões" e "Gonçalo" a coisa ficar complicada... porque tenho medo de errar, porque tenho medo de falhar como mãe, porque tenho medo de não ir de encontro com o que o Jorge gostava ou desejava... porque tenho medo de o desiludir... 

Há tempos o Gonçalo teve uma forte varicela com direito a antibióticos e tudo... foram dias {e sobretudo, noites} complicados... as noites eram passadas a dar lhe banho {único local onde se acalmava} e as horas de sono escasseavam de tal forma, que andava em modo "piloto automático"

Quando se vive sozinho com um filho a logística altera-se por completo... acabaram-se as divisões de tarefas, acabaram-se o "agora vai tu"... é preciso repensar em tudo...

Tenho a felicidade de ter um filho calmo, que se entretém facilmente sozinho, e que por isso, me dá alguma liberdade para coisa tão simples como tomar banho... mas, há dias em que ele quer mais atenção, mais colo, mais mimo... há dias em que tenho de tratar do jantar e ele cisma que quer estar no meu colo... há dias em que preciso de passar a ferro e ele puxa-me para brincar com ele... há, por isso, uma necessidade de ter um plano B para essas situações... porque já não há o "fica com o menino, enquanto eu faço isto"...

Por isso, tenho optado por fazer determinadas tarefas {como passar a ferro, estender a roupa...} logo pela manhã... acordo muito mais cedo do que ele... digamos que os meus dias começam ainda o dia está bem tímido... quando o silêncio se faz ouvir ainda mais... e adianto o que posso enquanto ele dorme...

Esta semana tem sido bem mais "dura" em termos de horários, visto que o Gonçalo está em plena "Semana da praia" e tem de estar na creche por volta das 7h30... ora, estar na creche cerca de uma hora mais cedo, implica também ter de acordar mais cedo...

No primeiro dia, acordei às 5h15, tal era o receio de não conseguir ter tudo pronto a tempo... e claro, fomos os primeiro a chegar, mas prefiro isso a terem de esperar por mim... entretanto, já percebi que posso ficar mais meia hora na cama, que consigo chegar a tempo...

Mas há esta necessidade de pensar, voltar a pensar em como devo gerir as coisas de forma a que corra tudo bem... e isso, confesso, há dias que cansa... o cansaço vai-se acumulando, que dou por mim a adormecer primeiro do que ele...

Sinto muito a falta do companheirismo a que estava habituada, sinto falta do abraço reconfortante depois de um dia complicado... sinto tanto a falta do Jorge, não só para ajudar-me a tratar do menino, mas, acima de tudo para puder partilhar com ele esses pequenos momentos que fazem o nosso menino crescer feliz...

Gostava tanto que ele sentisse aquele friozinho na barriga, que senti, quando o autocarro saiu, gostava tanto que ele o visse sentadinho na sua cadeirinha a sorrir... gostava tanto que ele o visse feliz... Eu sei, que ele o vê na mesma, que está presente, mas não é a mesma coisa... até porque o Gonçalo não vê o pai... e se até agora não tem perguntado por ele, nem por que razão os outros têm o pai e ele não... eu sei que um dia esta pergunta surgirá, inevitavelmente... e gostava tanto de lhe responder que o pai não pôde vir porque estava a trabalhar, que o pai para a próxima estará presente... gostava tanto que ele não viesse a sentir que há este vazio na sua vida...

Até esse dia, vou repensando no meu papel de mãe e vou fazendo o melhor que sei e que posso... vou aprendendo a lidar com a maternidade e com a viuvez... duas palavras que nunca pensei, algum dia, escrever na mesma frase...


Foto da autoria da Educadora V. 💙

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