quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Isso de sermos pais... tem muito que se lhe diga!

A decisão de ter um filho não pode ser tomada de ânimo leve... claro que há aqueles casos em que "aconteceu", mas quando o casal decide que está na altura de terem um filho, essa decisão tem de ser bem pensada, não se tem um filho porque sim...

A nossa vida jamais será a mesma... as nossas rotinas sofrerão uma viragem de 180 graus... porque passamos a ser responsáveis por um novo ser... e temos o dever de cuidar dele e educá-lo com amor...

Se não for para não nos dedicarmos aos filhos, ao bem-estar, à felicidade e educação deles, mais vale não os ter...

Ontem, enquanto almoçava com a minha mãe no shopping, pude observar uma cena entre uns pais {franceses - pelo menos falavam a língua francesa} e os seus filhos - um menino de colo, e outro mais crescido, um pouco mais velho do que o meu menino...

Inicialmente, eu ia trocando sorrisos com o mais novo, que era um doce, e que que se via a léguas que estava cheio de sono... a determinada altura, o menino, que estava ao colo da mãe, começou a ficar agitado {já disse que tinha sono?} e a mãe decide colocá-lo no carrinho... o menino fica ainda mais agitado e não deixa que ela o prenda e aí a mãe decide dar-lhe um valente abanão, esboçando um olhar de má e zangada, que o deixa a chorar... de seguida, dá-lhe o biberão com água, que {normal com crianças... e com sono} deixa cair ao chão... e a dita mãe, que mostrava já sinal de estar farta de ser interrompida pelo menino, decide puni-lo com uma bofetada... óbvio, que o miúdo começa logo a berrar e chorar ainda mais! 

Bem, escusado será dizer que nesta altura, eu já nem ouvia o que a minha mãe dizia.... 

Aparece então o mais velho, que abraça o pai , vira costas e sai da beira deles... fiquei admirada com o à vontade deles em deixar o miúdo afastar-se deles num espaço tão grande e movimentado, mas pronto pensei "isto és tu que és uma stressadinha com o teu".... mas, eis que aquelas alminhas iluminadas se lembram do mais velho e não é que não sabem onde ele está? Pois, bem me parecia que isso ia correr mal... 

Bem, já andavam todos feitas baratas tontas à procura do menino, a mãe já chorava...

Felizmente, lá o encontraram a brincar num carrossel - aqueles que os pais fazem mais uns quilómetros só para que os filhos não o vejam {quem nunca!}

Bem, ainda tive a esperança que aquele pai o abraçasse, feliz por o ter encontrado, mas não...

Mal o viu... zás, um estaladão... toma lá que é para aprenderes a não fugir dos pais... oi? Ele não fugiu, ele saiu da beira deles, o pai viu e continuou na dele...

Bem, fiquei fula com aquela cena toda... e isso, por diversas razões:
- a primeira é que não sou nada apologista de bater... penso que, na maioria dos casos, não provoca o efeito pretendido... neste caso, os dois meninos não perceberam as razões que levaram os pais a bater {aliás, nem eu entendi, e tenho 34 anos};
- a segunda, é que o pai, em momento algum, disse ao filho para não se afastar da mesa onde estavam - eu percebo francês e posso garantir que não ouvi essa indicação;
- a terceira é que, aquele pai estava mais interessado em almoçar, sossegado, do que em vigiar o filho, e depois descarrega a sua frustração na pobre criança...

Partilho este episódio {podia não o fazer}, porque mexeu comigo, porque nunca fui adepta de dar uma palmada quando o Gonçalo faz algo errado... e ainda ontem, ele brindou-me com uma mega birra, com direito a gritos e espernear no chão... a vontade de lhe dar uma palmada ia vindo ao de cima - trabalhar 8 horas com miúdos de diferentes idades e personalidades esgota qualquer ser humano, e ainda ter de chegar a casa e levar com as birras do meu era, para muitos, mais do que motivo para lhe mandar ali dois safanões - mas, optei por inicialmente, ignorar... depois, respirei fundo e conversei com ele até ele deixar de berrar, porque vejamos... se ele berra, e eu berro com ele, ele irá continuar a fazer o mesmo, afinal a mãe também o faz... eles são como esponjas! Por isso, falei baixinho, expliquei que não gosto que ele grite... e ele foi acalmando...

Claro que também não sou a mãe do Ruca em que tudo é perfeito e ela tem paciência de santa... já me passei com ele, mas foram apenas duas vezes, e porque achei que era necessário ele perceber, de outra forma, que ele estava errado... das duas vezes que o fiz, fiquei tão mal com isso, que só me apetecia enchê-lo de beijos.... e enchi 😍

Sei que cada um sabe de si e educa os seus filhos como quer.. não é uma crítica, é apenas a minha opinião, o meu ponto de vista... a minha forma de encarar a educação... do meu filho!

Simplesmente, defendo que agressividade gera agressividade e que, quando optamos por sermos mais rígidos com eles, tem de haver um motivo forte para tal, e não porque sim... até porque, se não houver uma explicação para aquele momento, a criança poderá ficar confusa e não perceber o porquê da mãe ter feito aquilo, quando supostamente, ela tem de dar amor e carinho... penso que isso tudo gera confusão a nível emocional... 

O caso que assisti, ontem, no shopping, fez-me repensar na forma como educamos os nossos filhos, na forma como educo o meu filho, e cada vez mais acredito que a palmada {que também é necessária, não nego} não pode ser dada de forma inconsciente... defendo que deveríamos optar por uma parentalidade positiva... valorizar o que eles fazem de bem, porque muitas vezes só sabemos resmungar com o que eles fazem de mal, mas não nos lembramos de os elogiar quando fazem algo de bem.. conversar com eles, tentar que eles percebam que não gostamos de birras, que eles não podembater... sei que não é fácil, até porque vivemos uma vida demasiado rápida para ser vivida com calma... mas, temos a obrigação de parar e pensar na forma como educamos os nossos filhos!

Pensemos nisso!







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