segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"O Natal"

As luzes já piscam nas ruas, as montras já estão decoradas a rigor, as lojas enchem-se de artigos apelativos para mais uma comemoração que mexe com as nossas emoções: o Natal!

Este Natal - como serão todos os outros... infelizmente, as pessoas têm muito a tendência de só se focar no primeiro ano de perda - terá um sabor agridoce... há uma dissonância entre a nossa tristeza interior e os estímulos externos, que nos ditam que esta altura do ano é para ser vivida de forma alegre...

Sempre gostei do Natal... das decorações festivas, do convívio, do cuidado em escolher os presentes {apesar de ser uma época essencialmente consumista}... o espírito de Natal é, sem duvida, mágico...

No ano passado, felizmente, e apesar do estado debilitado do Jorge, ele ainda estava cá... mesmo que não interagisse tanto conosco, mesmo que não estivesse sentado à mesa o jantar todo, mesmo que não nos tivesse ajudado a montar o pinheiro... ele esteve cá... ele participou como pôde... tiramos a nossa foto da praxe em frente ao pinheiro... e trocamos prendas... essa prenda que ele teve o cuidado de pedir para comprar e colocar junto ao pinheiro...essa mesma prenda que traga ao pescoço desde então... 

Apesar de mais fraco, e de visivelmente, diferente, ele nunca deixou de ser o MEU Jorge... sempre cuidadoso, atento e protetor... mimou-me até ao fim... 

Há dias, em que penso nisso, e me dá uma raiva tão grande que só me apetece mandar todo à urtigas... há dias, em que me sinto tão fraca, tão cansada da vida, que acabo por me "desligar" do mundo e das pessoas {Desculpa Su*}... há dias, em que estou rodeada de gente e me sinto terrivelmente só!

E depois, há aqueles dias em que tento pensar que, apesar das bofetadas que a vida me deu, ela também me deu a possibilidade de viver um intenso e grande amor... ela deu-me um filho para amar e cuidar... ela está a dar-me a possibilidade de continuar o trabalho que iniciei com o Jorge, o de amar e cuidar do nosso amor! 

E é nisso que me vou agarrado, nesse amor, nesse "nós" que ficou... e é por esse "nós", que tento encarar o Natal com outra disposição... sei que vai ser uma altura difícil, sei que vou sentir uma enxurrada de emoções, sei que vou sentir aquele vazio ao olhar para o lugar vazio à mesa... apesar de saber disso, vou tentar viver esta época com o coração tranquilo, por mim, por nós e pelo Gonçalo, que não tem culpa que a vida tenha sido malvada conosco e merece viver o Natal como qualquer outra criança...

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