segunda-feira, 5 de março de 2018

A vida é uma estrela cadente**

"Uma estrela cadente só dura um segundo, mas você não fica feliz de pelo menos ter visto?"*

A vida é feita de pontos finais. Ela faz-nos mudar de parágrafo. Faz-nos virar a página, mesmo que seja contra a nossa vontade. A vida mostra-nos que alguns acontecimentos duram o tempo necessário para serem inesquecíveis. 

Mesmo que algo não tenha durado "para a vida toda", tal como seria o nosso desejo, é sempre melhor do que nunca ter existido.

É nessa linha de pensamento que me vou agarrando para trilhar o meu caminho. Quantas vezes, ao pensar no rumo que a minha vida tomou, não sinto o coração a apertar, aquela dor de barriga a aparecer, a ansiedade a espreitar. Quantas vezes não sinto vontade de voltar para trás, de reviver aquela vida que tanto desejei. Entristece-me. Magoa-me. Mas, a verdade é que se tenho todos esses sentimentos dentro de mim é porque existiu algo para que eu pudesse recordar, mesmo que com aquela dor da saudade. 

Alguns momentos da nossa vida são como faíscas... rápidos, mas intensos... Tal como foram os meus seis anos com o Jorge. Rápidos e intensos... tão intensos! Eu costumo dizer que vivi uma vida em seis anos. Conhecemo-nos, casamos, tivemos um filho! Há quem precise de muitas "vidas" para isso. A vida "deu-nos", apenas, seis anos, seis magníficos anos, que felizmente, soubemos aproveitar muito bem. E estou tão grata por isso. Porque, cada vez mais, acredito que tudo tem o seu tempo. E que este foi o nosso. 

É como aquele livro que gostamos muito, em que há ali duas ou três páginas que nos marcam mais, e que até dobramos o cantinho da folha, porque mexeram conosco, e queremos guardar, porque ficarão para sempre em nós. Com as pessoas, com a vida também é assim. Não podemos "dobrar" o cantinho, mas podemos guardar naquele cantinho do nosso coração para que nunca se perca, nunca esmoreça. Porque somos como estrelas cadentes... que podem não durar mais do que um segundo, mas cujo brilho será eterno...

** A foto traduz a banalidade da vida. Um simples ato do nosso dia a dia, tão banal, tão corriqueiro, mas que, só de ver, me faz engolir em seco tamanha é a falta que isso me faz! 


*Inspiração aqui

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