quarta-feira, 7 de março de 2018

Ser feliz?

A vida encarrega-se de colocar no nosso caminho as pessoas "certas". Aquelas que nos vão ajudar a construir o nosso "eu".

Há pessoas que nos ajudam, mostrando-nos o que a vida tem de belo, outras que o fazem da forma oposta. Ambas ensinam. Uma a seguir o exemplo, outras a evitar.

Ao longo da minha vida, tenho trilhado o meu caminho com umas e com outras. Algumas ficaram pelo caminho, outras foram se juntando à minha caminhada, outras ainda vou surgindo e desaparecendo dela... Quero muito acreditar que nada é por acaso. Que as que não nos dizem nada, aquelas pessoas que nada nos acrescentam são também peças fundamentais para sermos um ser humano melhor. Porque não queremos ser como elas. Tem de haver um ensinamento em tudo o que a vida nos impõe.

E, neste acaso que é a vida, vou conhecendo pessoas que também trilharam ou trilham o mesmo caminho sinuoso que é a viuvez!

Quando se perde o amor da sua vida tão precocemente, há um desejo inato de encontrar casos "iguais" ao nosso... de perceber que não somos as únicas!  De sentir que há casos de superação. Exemplos de vida. De quem agarra a vida com firmeza e não se deixa engolir pelos desafios. Conheço muitas mulheres que souberam dar luta ao luto. Comovo-me com cada uma delas. Revejo-me em todas. Sinto aquele aperto da impotência perante a grandiosidade que é a vida.

Esta semana, numa das idas ao hospital para visitar o meu pai, soube que a esposa do companheiro de quarto do meu pai, tinha ficado viúva com 30 anos, e com três filhos para criar. Engoli em seco. Quando entrei no quarto, ela estava lá. Cumprimentei e fiquei junto do meu pai. Senti o olhar dela. Aquele olhar.

Ela sabia que eu estava a passar pelo que, outrora, também passara.

Naquele dia, o marido teve alta e vieram despedir-se dele. Ao sair do quarto, a senhora veio ter comigo. Abraçou-me tão forte, como se me conhecesse há anos. E sussurrou ao meu ouvido: "És linda! Ainda vais ser muito feliz!"

Encolhi os outros, e soltei um tímido "Não sei". Ela abanou afirmativamente a cabeça, "vais vais!"

Mexeu comigo. Senti-me a fraquejar. A resposta foi genuína. Não sei se vou ver feliz. Sei que não o sou. Talvez um dia volte a olhar para a vida de outra forma. Para já não.

Confesso que também não senti que aquela senhora fosse "feliz". Talvez por estar com o atual marido no hospital. Talvez pelo cansaço que acarreta uma hospitalização. Talvez. Mas não senti essa felicidade. Tal como sinto que também não a terei.

Ser feliz é muito. Ser feliz é tudo. E, infelizmente, falta-me, e faltará, sempre o meu alguém para esse tudo!

1 comentário:

NP disse...

São palavras, palavras que ao ler demonstra emoção, o tal frio na barriga,sentimento. Vais ser e és muito feliz, com o tesouro que o nosso Jorge te deixou, o teu filho. O amanha será o amanha... Beijinho