quarta-feira, 30 de maio de 2018

Um pouco mais de nós*

Vivemos a um ritmo demasiado acelerado que não permite que os nossos filhos possam acompanhar esse andamento. Exigimos deles o que não podemos dar. Queremos que fiquem quietos, quando somos uns adultos irrequietos. Queremos que prestem atenção, quando nem sempre ouvimos o que  eles nos contam. Queremos a perfeição, quando nem sempre somos bons exemplos. 

Ontem, enquanto conversava com uma menina, esta confidenciava-me que a mãe trazia os problemas do trabalho para casa, e que ela não gostava disso, nem achava justo. E ela não podia estar mais certa. Os problemas do trabalho (deveriam) ficam no trabalho. Nem sempre é fácil fazermos este jogo de cintura. Muitas vezes, cansados de oito horas de trabalho, respondemos mal aos nossos filhos, explodimos por coisas sem importância. E quantas vezes, eles não percebem nada do nosso comportamento.

Fiquei a pensar no que esta menina me disse e, cada vez mais, tento deixar o que não é de casa, fora dela. Não é fácil. Nada é fácil. Mas, com dedicação, tudo se consegue. Acredito nisso.

É fundamental percebermos que não somos seres perfeitos, mas que podemos sempre ser cada vez melhores. Como pessoa, como pais, como cidadão. O importante é nunca desistir disso.

Desligar do trabalho. Desligar das redes sociais. Do telemóvel. E ligar cada vez mais aos nossos. Aos que nos fazem bem à alma. Aqueles que nos recebem com os olhos maravilhados. Aqueles que mesmo quando estamos menos presentes, nos apertam num abraço demorado. Como se mais nada importasse. E, de facto, mais nada importa. ♡

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