segunda-feira, 11 de junho de 2018

As birras*

Hoje, ele acordou às 5h da manhã com a energia toda carregada. Fingi que não vi. Ele pediu "Nesquik". Fingi que não ouvi. "Nesquik!!". Ok, levantei-me, fiz o leitinho com nesquik. Bebeu. Desliguei a luz e tentei dormir. Pelos vistos, o Gonçalo não estava com a minha linha de pensamento do que eu. Não tinha sono. Deitou-se cedo. Dormiu o que tinha a dormir. Eu não. Mas, o que isso interessa agora?

Ainda permaneci naquele estado de "dorme-não-dorme". Mas, definitivamente, ele não estava inclinado para isso. Então, bora lá começar o dia.

Com o avançar do tempo, o sono lá foi surgindo. Começou a ficar chatinho. Birrento. E a birra instalou-se.

E qual é mãe que não sabe o que isso simboliza? Pois. Choro. Gritos. Stress. Isso tudo antes das 8h, a uma segunda-feira. Ninguém merece.

Mas afinal o que é uma birra?

Existem muitas formas de definir o que é uma birra, eu acredito que uma birra é uma manifestação emocional por parte de uma criança que não consegue transmitir o que sente {neste caso: SONO}.

Apesar de não gostarmos das birras, elas são necessárias na formação da personalidade. É a forma que as crianças encontram para afirmarem-se e enfrentarem os obstáculos da vida. 

Digamos que as birras são saudáveis. Eu sei que muitos estarão a abanar negativamente com a cabeça. Mas, a verdade é que fazem parte da construção do nosso ser. 

O importante é saber como lidar com elas! Aí reside o cerne da questão. Claro que não há receias milagrosas. Claro que cada caso é um caso. E o que funciona com o meu filho, poderá não funcionar com o da minha amiga. No entanto, acredito que há algo transversal a qualquer birra, a qualquer criança em plena birra. A calma

Manter a calma. A paciência. 

Difícil. Oh, então não é. Mas, quanto mais reagirmos com agressividade, com gritos ou palmadas, mais a birra tomará proporções incontroláveis. 

Nunca se esqueçam: violência gera violência. Ora, se o nosso filho está em plena birra, gritar não ajudará a acalmar-se, muito pelo contrário. Ficará mais agitado. Para além de estarmos a fazer exatamente o mesmo: berrar!

Nessas situações, é manter a postura. Apelar à paciência, à empatia. Tentar perceber o motivo da birra. É sobretudo, perceber que o nosso filho ainda está a descobrir o que é isso de ser alguém. Ainda está numa fase de descobrimento, e muitas vezes, nem ele sabe a razão daquele estado de fúria. 

Quando o Gonçalo me brinda com uma birra, respiro fundo {muiiitas vezes}, tento acalmá-lo, converso com ele, e se necessário, tento distraí-lo. Ora faço-lhe cócegas {geralmente funciona}, ora canto-lhe uma música. Depende. Mas opto por mudar de assunto. Digamos que tento enveredar pelo caminho do sentido de humor. Com ele funciona. E logo se esquece da birra. 

O essencial nisso é mesmo não criarmos um filme de terror à volta disso. Já stressei muito por causa disso. Por causa do olhar dos outros. Não vale mesmo a pena. Se perceber que a birra está a incomodar os olhares mais sensíveis, retiro-me por momentos com ele. E voltamos mais serenos.

A intervenção de terceiros também não ajuda em nada. Os avós aflitos a sugerir isso e aquilo também não é benéfico. No meu caso, é motivo para ser eu a fazer birra. Não gosto que interfiram. O momento é nosso. Ponto. 

Quanto a birra se torna "na birra das birras", e nada parece resultar. Então, é deixar a birra manifestar-se e estar por perto para um abraço apertado quando a poeira assentar.

Recebi há dias um livro que ganhei num passatempo: Como ajudar o seu filho a controlar as birras. É um livro sucinto. Com dicas práticas e simples. Dicas que, basicamente, enveredam para o caminho do diálogo, da paciência, da calma. Ensina-nos a potenciar um ambiente sereno de forma a não perdermos o controlo, senão passaremos a ser dois a fazer birras, e aí o cenário pode ser desastroso.

*Ah, e estava mais do que evidente que ia adormecer a caminho da escola. 😄


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